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Grande Priorado Retificado do Brasil

da Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa

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Tradição · Conhecimento · Fraternidade

Nossa História

A Ordem
através dos
séculos

Uma jornada pela tradição, pelos princípios e pela missão do Grande Priorado Retificado do Brasil — da fundação do Rito Escocês Retificado até os dias atuais.

Sumário

  • Origens do Rito
  • A Fundação
  • Princípios e Valores
  • A Ordem no Brasil

Tempo de leitura

4 minutos

Capítulo I

Origens do Rito

O Rito Escocês Retificado (R.E.R.) emergiu na segunda metade do século XVIII como uma das mais profundas e bem estruturadas sínteses espirituais da Maçonaria europeia. Nascido sob a inspiração e o labor incansável de Jean-Baptiste Willermoz (1730-1824), o Rito foi concebido como uma via iniciática cristã e cavaleiresca, voltada primordialmente à reintegração do ser e ao aperfeiçoamento moral do homem.

A gênese do Rito resulta da convergência e depuração de três grandes correntes tradicionais da época: a Maçonaria Escocesa então praticada na França; a herança e a estrutura da Estrita Observância Templária (liderada pelo Barão von Hund na Alemanha); e a doutrina espiritualista da Ordem dos Cavaleiros Maçons Elus Coëns do Universo (fundada por Martinez de Pasqually).

O grande marco histórico dessa formação ocorreu no Convento das Gálias, realizado em Lyon em 1778, e consolidou-se em nível europeu no Convento de Wilhelmsbad, em 1782. Nesses memoráveis encontros, Willermoz e os demais deputados “retificaram” a Estrita Observância. Afastaram as pretensões políticas e a reivindicação de uma descendência material e histórica ininterrupta dos antigos Cavaleiros Templários, redirecionando o foco para uma filiação puramente espiritual.

Dessa forma, abandonou-se a busca pela restauração temporal da antiga Ordem do Templo para forjar uma nova Cavalaria, focada na beneficência, na pureza doutrinária e na busca incessante pela Verdade.

“A Iniciação não cria nada no homem, mas ela o desperta, convidando-o a resgatar a consciência de sua natureza original e de seu destino luminoso.”

— Jean-Baptiste Willermoz
Capítulo II

A Fundação e a Preservação do Rito

Após a consolidação doutrinária nos Conventos das Gálias (1778) e de Wilhelmsbad (1782), o Rito Escocês Retificado estabeleceu sua fundação administrativa e ritualística definitiva. Essa estruturação materializou-se na aprovação de dois documentos magnos que regem a Ordem até os dias atuais: o Código Maçônico das Lojas Reunidas e Retificadas e a Regra dos Cavaleiros Maçons.

Estes textos consagraram a arquitetura única do Regime, que opera em duas classes distintas e complementares: a Maçonaria Simbólica (que abrange as Lojas de São João e culmina nas Lojas de Mestres Escoceses de Santo André) e a Ordem Interna, de caráter estritamente cavaleiresco (composta pelos Escudeiros Noviços e pelos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa - C.B.C.S.).

No entanto, o ímpeto inicial dessa fundação na França foi duramente atingido pela eclosão da Revolução Francesa em 1789. O caos político e social desarticulou as Lojas e Prefeituras francesas, levando o Rito a um período de adormecimento em seu berço de origem. A continuidade ininterrupta da Ordem, sua salvaguarda e a preservação intacta de seus rituais e arquivos só foram possíveis graças à providencial fundação do Diretório Escocês Helvético, em Genebra.

Foi a Suíça que manteve a chama acesa durante o conturbado século XIX. O Grande Priorado da Helvetia atuou como o fiel depositário da Tradição Retificada e assumiu o papel histórico e incontestável de “Mãe do Mundo”. Ao preservar a pureza do Rito e a regularidade ininterrupta da transmissão iniciática, foi a partir deste santuário suíço que, no século XX, o Rito Escocês Retificado foi redespertado na França e, posteriormente, disseminado de forma regular, legítima e soberana para o resto do mundo.

Fato histórico

Em 1782, no célebre Convento de Wilhelmsbad, a antiga Estrita Observância foi formalmente “retificada”. Este marco abandonou as pretensões políticas e materiais da época, consolidando a tradição de uma cavalaria puramente espiritual.

Capítulo III

Princípios e Valores

O Rito Escocês Retificado distingue-se pela sua profunda vocação espiritual e pela exigência de um compromisso moral inabalável. Essencialmente cristão e cavaleiresco, o Rito não se propõe a ser apenas um espaço de reflexão filosófica, mas uma verdadeira via operativa de transformação interior, ancorada na fé e na prática constante das virtudes.

No coração da doutrina retificada repousa o conceito de “Reintegração”. Esta perspectiva ensina que o homem, tendo decaído de sua condição original luminosa, deve trabalhar incessantemente para restaurar sua natureza espiritual e sua ligação com o Divino. Este trabalho íntimo de aperfeiçoamento moral é o propósito central da Iniciação, exigindo de cada membro uma conduta ilibada, humildade e uma busca sincera pela Verdade.

A Beneficência, termo que dá nome à classe cavaleiresca suprema da Ordem (Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa), representa a aplicação prática e externa dessa doutrina interior. Para o Rito, não se trata apenas de caridade material, mas de um compromisso ativo de aliviar o sofrimento humano, defender a justiça, proteger os desamparados e espalhar a luz da instrução. É, em sua essência, a tradução da fé em obras.

Tradição

Fiel depositária da herança espiritual cavaleiresca e preservação rigorosa dos ritos legados pelos Conventos do século XVIII.

Reintegração

O trabalho contínuo de aperfeiçoamento moral e estudo interior para restaurar a natureza espiritual e luminosa do homem.

Beneficência

Mais do que o vínculo fraterno, é o compromisso ativo e inabalável da Cavalaria Retificada em servir e proteger a humanidade.

Espiritualidade

A via iniciática essencialmente cristã, ancorada na fé, na prática incondicional das virtudes e na busca pela Verdade.

Por fim, a fidelidade à religião cristã, o respeito incondicional às leis da pátria e a lealdade irrestrita aos juramentos prestados formam a tríade de deveres de todo membro da Ordem. A ética cavaleiresca, herdada simbolicamente dos antigos Templários, exige que cada Irmão e Cavaleiro seja um exemplo vivo de retidão, honra e serviço desinteressado à humanidade.

“O objetivo da Ordem é conduzir o homem ao conhecimento de si mesmo e à prática das virtudes.”

— Tradição do Rito Escocês Retificado
Capítulo IV

A Ordem no Brasil

No Brasil, a presença do Rito se estabeleceu de forma regular sob os auspícios do Grande Priorado Independente da Lusitânia, que outorgou as primeiras Cartas Constitutivas das Lojas de Mestres Escoceses de Santo André e das primeiras Prefeituras, formando uma Delegação Nacional com sede no país.

Em 7 de setembro de 2008, o Grande Priorado da Helvetia, Mãe do Mundo, com o acordo unânime e presença de todos os Grandes Priorados Regulares, outorgou a Carta Patente e sagrou o Grande Priorado do Brasil da Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa, conferindo-lhe jurisdição nacional exclusiva e instalando seu primeiro Grão-Prior e Grão-Mestre Nacional. Seguindo a tradição templária, foi igualmente constituída a XIª Província, denominada Terra de Vera Cruz, abrangendo o território da República Federativa do Brasil e uma Prefeitura no Peru.

O Grande Priorado do Brasil é governado por um Grão-Prior e Grão-Mestre Nacional, assistido por um Diretório de Grandes Oficiais. Seu órgão deliberativo é o Grande Capítulo, que se reúne ordinariamente uma vez ao ano. As Prefeituras são dirigidas por um Prefeito, reunindo os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa (C.B.C.S.) e os Escudeiros Noviços de seu território. Sob a jurisdição das Prefeituras encontram-se as Lojas de Mestres Escoceses de Santo André, que constituem a base da Ordem Interna.

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